As 150 famílias de sem-teto abrigadas desde dezembro no prédio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na rua do Hospício, terão um prazo maior para tentar negociar a ocupação definitiva do prédio. O imóvel virou moradia das famílias depois que elas foram despejadas do edíficio Trianon, localizado na Avenida Guararapes.
De acordo com o diretor nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) em Pernambuco, Marcos Cosmo, após reunião realizada esta manhã com Ana Maria Dias, assessora do Secretário de Articulação Social, Sileno Guedes, o prazo da reintegração de posse foi prorrogrado da próxima quinta-feira para o dia 15 de abril. Até lá, lideranças do movimento irão à Brasília negociar com o Ministério do Planejamento, e com a presidência do IBGE. No encontro, o movimento pediu garantias ao governo do estado sobre a ocupação do prédio, alegarando que o imóvel estava abandonado, servindo para abrigar viciados em drogas e marginais que praticavam pequenos roubos nas redondezas.
A reunião foi realizada após uma mobilização realizada por cerca de cem famílias ligadas ao movimento. O ato teve início às 7h30, quando os manifestantes fecharam o cruzamento da avenida Conde da Boa Vista com a rua do Hospício, queimando pneus e pedaços de madeira. O protesto deixou uma das principais vias do centro praticamente vazia e o comércio de portas fechadas por cerca de uma hora e meia. Por volta das 8h50 o trânsito local já estava normalizado. O movimento dos sem teto seguiu pela avenida Conde da Boa Vista em direção a Rua da Madre de Deus, onde houve a reunião.
"Estamos tentando há mais de quinze dias abrir um canal de negociação, pois existe um alvará de reintegração de posse que já está marcado e que ainda pede o uso da força policial para a retirada das famílias", acrescentou Jailton Serafim, um dos coordenadores do movimento. Já Arão Bezerra da Silva, coordenador estadual do movimento, adiantou que o grupo não vai desistir do diálogo, mas que não pretende sair do prédio. "Estamos a qualquer momento esperando a força policial para sermos despejados, mas estamos preparados para resistir".
As pessoas afetadas pela manifestação no centro do Recife tiveram opiniões diferentes sobre a manifestação. Para a historiadora e educadora social Inês Dias da Silva, 31 anos, apesar do transtorno, o protesto é válido. "É necessário porque é o único jeito que eles tem de serem vistos, de reivindicar. Ninguém está preocupado com essas famílias que não tem aonde morar". Já Edvaldo Pereira Lima, 38 anos, balconista de uma farmácia na Avenida Conde da Boa Vista, reclamou do prejuízo: "Todo protesto é válido, mas não pode interferir no comércio. Já ficamos os quatro dias de carnaval sem funcionar. Hoje só às 8h53 é que atendi o primeiro cliente. A farmácia deveria estar aberta desde às 7h30. Se querem protestar, devem ir pra frente do palácio porque essa paralisação é ruim para o consumidor e para o comerciante. A polícia também tem que conversar com os líderes pra não ter vandalismo e queima de pneus."
Com informações da repórter Greyce Falcão 14-03-11
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