Asne Seierstad nasceu na Noruega em 1970. Jornalista, é também licenciada em Filologia Russa e Espanhola e História da Filosofia pela Universidade de Oslo. Correspondente de guerra desde 1994, cobriu diversos conflitos internacionais para meios de comunicação escandinavos, holandeses e alemães, que lhe renderam prestigiosos prêmios, entre os quais o Free Speech Award, em 2002, e o Grande Prêmio Norueguês de Jornalismo, em 2003. Escreveu os livros:
O Livreiro de Cabul
Por ter vivido três meses com uma família afegã, na primavera de 2002, logo aós a queda do regime talibã, a jornalista norgueguesa Asne Seierstade pôde produzir esta narrativa ímpar que mostra aspectos do país que poucos estrangeiros testemunhariam. Como ocidental, mulher e hóspede de Sultan Khan, um livreiro de Cabul, obteve o privilégio de transitar entre o universo feminino e masculino de uma sociedade islâmica fundamentalista. Preso e torturado durante o regime comunista, dos mujahedin e dos talibãs, Sultan Khan teve sua livraira invadida e parte dos livros queimados, mas alimentava o sonho de ver seu acervo de 10 mil volumes sobre história e literatura afegã transformar-se mo núcleo de uma nova Biblioteca Nacional.
Apesar da situação estável, a família do livreiro, duas mulheres, cinco filhos e parentes, dividia uma casa de quatro cômodos em uma cidade que se recuperava da guerra e de trágicos refluxos políticos. Os integrantes da família acostumaram-se à presença da autora sob uma burca. Assim, ela pôde observar relatos das rixas do clã; da exploração sexual das jovens viúvas que esperaam doações de alimentos das organizações de ajuda internacional; da adúltera sufocada com um travesseiro pelos três irmãos sobe as ordens da mãe; do exílio no Paquistão da primeira esposa de Sultan Khan, após um segundo casamento com ma moça de 16 anos; do filho adolescente do livreiro obrigado a trabalhar 12 horas por dia sem chance de estudar.
101 dias em Bagdá
Neste livro, a autora relata o que viu e viveu em Bagdá entre os meses de janeiro e abril de 2003. Usando sua experiência como correspondente, Seierstad faz uma crônica do cotidiano na Guerra do Iraque, mostrando como vivem os iraquianos, como reagem durante os bombardeios, suas opiniões sobre o regime deposto de Saddam Hussein, as expectativas em relação ao futuro e a censura à imprensa estrangeira. Em artigos na imprensa e reportagens ao vivo para a televisão, a autora reportou os acontecimentos no Iraque antes, durante e depois dos ataques americanos e britânicos. Sempre em busca de histórias menos óbvias que as da pura e simples invasão militar, Seierstad procurou expor o universo do conflito além das manchetes.
O resultado foi este relato de sua estada entre o povo iraquiano - um valioso e impressionante retrato da realidade. Desde o momento em que chegou a Bagdá, com um visto de dez dias, a autora estava determinada a descobrir os novos segredos daquela terra antiga e a conheceras condições reais de vida dos iraquianos. '101 Dias em Bagdá' apresenta ao leitor a vida cotidiana sob a constante ameaça de ataques - primeiro do governo iraquiano e depois dos bombardeios americanos.
Passando do silêncio ensurdecedor da era de Saddam Hussein às explosões que interromperam o fornecimento de eletricidade, água e outros serviços essenciais no país, Seierstad revela o que acontece às pessoas diante de situações-limite - do que sentem mais falta quando seu mundo se transforma numcampo de guerra? O que denunciam quando não há censura? A autora traz à vida um elenco de personagens inesquecíveis - o burocrata responsável pelo atendimento aos jornalistas estrangeiros, Uday al-Tay; Zahra, mãe de três filhos; Aliya, guia e intérprete que se tornou amigo. Ao confiar em uma mulher européia sem roteiro preestabelecido, esses e outros iraquianos desabafam e narram acontecimentos jamais reportados nos jornais e redes de televisão.
Passando do silêncio ensurdecedor da era de Saddam Hussein às explosões que interromperam o fornecimento de eletricidade, água e outros serviços essenciais no país, Seierstad revela o que acontece às pessoas diante de situações-limite - do que sentem mais falta quando seu mundo se transforma numcampo de guerra? O que denunciam quando não há censura? A autora traz à vida um elenco de personagens inesquecíveis - o burocrata responsável pelo atendimento aos jornalistas estrangeiros, Uday al-Tay; Zahra, mãe de três filhos; Aliya, guia e intérprete que se tornou amigo. Ao confiar em uma mulher européia sem roteiro preestabelecido, esses e outros iraquianos desabafam e narram acontecimentos jamais reportados nos jornais e redes de televisão.
As Crianças de Grozni
Nas primeiras horas de 1994, tropas russas invadiram a Tchetchênia, levando o país a um prolongado e violento conflito. Como correspondente internacional em Moscou naquela época, Åsne Seierstad viajou regularmente à Tchetchênia para fazer reportagens sobre a guerra e descrever os seus efeitos sobre aqueles que tentavam viver normalmente, apesar das circunstâncias desfavoráveis. Na década seguinte, Seierstad tornou-se uma autora internacionalmente conhecida e viajou aos Bálcãs, ao Afeganistão, ao Iraque e a outras regiões devastadas pela guerra, sem jamais perder de vista o conflito que observou de perto no início de carreira.
Durante esses anos, ela viu a Rússia suprimir uma rebelião islâmica em duas guerras sangrentas e o mundo se apavorar diante da ameaça de um novo episódio de terrorismo internacional. Em 2006, ela retornou à Tchetchênia e se deparou com uma sociedade ainda embrutecida. Encontrou crianças traumatizadas e percebeu, naquele cenário, a impossibilidade de crescimento sadio para pessoas que só haviam conhecido a guerra e que se acostumaram à violência.
Depois de percorrer os vilarejos pobres da Tchetchênia e ouvir as histórias dramáticas de um povo marcado pelo sofrimento causado por guerras e confrontos, Seierstad viajou à capital do país para investigar junto aos poderosos as razões da atual miséria tchetchena e as políticas implementadas pelo governo no sentido de conduzir o país à prosperidade.
Em Grozni a autora entrou em contato com universitários, ministros, assessores do governo e empresários, tendo oportunidade de registrar as ambigüidades de uma democracia autoproclamada envolta num véu de censura feroz. Ela visitou ainda instituições oficiais do país e observou o funcionamento de um aparelho burocrático servindo ao único propósito de incensar e promover o presidente da república, Ramzan Kadirov, que em entrevista aqui reproduzida não consegue dissimular os maniqueísmos de uma administração atroz e assassina. Um retrato emocionante, pessoal e preciso da Tchetchênia de hoje, Crianças de Grozni conta a história de uma terra violenta e de sua luta presente pela liberdade.
Em Grozni a autora entrou em contato com universitários, ministros, assessores do governo e empresários, tendo oportunidade de registrar as ambigüidades de uma democracia autoproclamada envolta num véu de censura feroz. Ela visitou ainda instituições oficiais do país e observou o funcionamento de um aparelho burocrático servindo ao único propósito de incensar e promover o presidente da república, Ramzan Kadirov, que em entrevista aqui reproduzida não consegue dissimular os maniqueísmos de uma administração atroz e assassina. Um retrato emocionante, pessoal e preciso da Tchetchênia de hoje, Crianças de Grozni conta a história de uma terra violenta e de sua luta presente pela liberdade.
De costas para o mundo
Depois do sucesso estrondoso de O livreiro de Cabul - ainda entre os 10 títulos mais vendidos no país - e de 101 dias em Bagdá, a norueguesa Asne Seierstad retorna com DE COSTAS PARA O MUNDO, obra que se tornou sucesso mundial como os dois primeiros. Nele, a jornalista constrói uma narrativa emocionante sobre as pessoas marcadas pelo mais sangrento conflito ocorrido no coração da Europa desde o fim da Segunda Guerra Mundial: a guerra da Bósnia, que devastou a Iugoslávia na década de 1990 e culminou em sua dissolução.
Asne nos descortina um país marcado pela diversidade religiosa e cultural, habitado por católicos ortodoxos e muçulmanos. Conta como vizinhos antes pacíficos encheram-se de ódio uns pelos outros, perpetrando uma sucessão de guerras. Como repórter, Asne cobriu a guerra e os ataques aéreos da Otan contra o país. Alguns anos mais tarde, em 2000, movida pela curiosidade acerca de um povo que começou guerra após guerra, sem vencer jamais, ela retornaria a Iugoslávia.
Através da vida de 13 sérvios - e com seu talento para capturar o cotidiano - ela consegue transmitir a essência desse povo. São fazendeiros, jornalistas, negociantes do câmbio negro, religiosos e até mesmo artistas, todos parte do mosaico de uma realidade em formação, da desintegração de um país e de uma nova ordem mundial. Com um timing perfeito, Asne desembarcou a tempo de testemunhar as manifestações contra Slobodan Milosevic. Naquele outubro, ela assistiu milhares tomarem Belgrado, o Parlamento e a emissora de TV estatal.
Por meio de uma narrativa envolvente, quase literária, Asne democraticamente dá voz a todos. Do partidário de Milosevic que anseia por uma nova ditadura até os que acreditam que jamais aconteceu uma limpeza étnica em relação aos albaneses. De Costas Para o Mundo oferece um retrato único do cotidiano sérvio. Um estudo revelador da guerra e suas conseqüências.

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