terça-feira, 6 de julho de 2010

Rebelde! Eu?

Sempre gostei de contestar...
Os pais, os professores, o governo,
Sempre quis explicações de tudo,
Nunca me conformava com o que me diziam,
Na escola, entrei no grêmio,
Na faculdade, entrei no movimento estudantil,
Lia tudo, via filmes, queria ser Cult, underground,
Uma mistura de rebelde com intelectual,
Comparecia às manifestações,
Apoiava os sem-terra, sem-teto, sem-tudo,
Não perdia o grito dos excluídos,
Dormia fora e não ligava,
Ia pra balada e nem me preocupava,
Não entendia e nem aceitava o que meus pais diziam,
Fiz piercing,
Fiz tatuagem,
Vesti preto,
Raspei a cabeça,
Pintei o cabelo de laranja,
Briguei com o sistema,
Li Marx, Discuti Foucault,
Ouvi Chico Buarque,
Dancei Chico Science,
Um dia eu não quis estudar,
Um dia o que eu mais queria era estudar,
E eu cresci...
Casei, tive filhos, virei careta?
E no meu repertório...
Não faltam canções de ninar,
Na minha agenda de compromissos...
Mais uma festinha infantil,
As reuniões agora, são na escola do meu filho,
Os livros que ando lendo?
Os de tabuada e gramática andam sempre comigo,
Meus medos?
Uma febre de 40 graus já é suficiente pra me desestruturar,
Checar emails, ir ao banco, pagar água, luz, telefone, aluguel, condomínio,
Correr pra casa e esquecer tudo na imensidão daquele sorriso,
Como educar?
Como dizer não, se eu contestei o não a minha vida inteira,
Vida inteira, até aqui,
Agora tudo mudou,
Já não dá mais pra sumir,
Não passar em casa pra almoçar,
Esquecer farmácia e supermercado, nem pensar,
E o que a gente brigava tanto com nossos pais,
Será que estamos repetindo agora?
É que agora, nós é que somos os pais da história...

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