terça-feira, 6 de julho de 2010

Violência contra a Mulher. Até quando?

     Caso Aracely, caso Daniela Perez, Caso Elisa. O tempo passa e a história se repete.

     Enquanto ser social e agente histórico, o papel da mulher na sociedade esteve sempre em constante transformação. A mulher pré-histórica, disputada pelos machos. A matriarca, que comandava o clã. A submissa que obedecia ao pai e ao marido. A escrava do eito, a ama de leite e a mucama da casa grande. A trabalhadora que foi em busca do seu lugar no mercado de trabalho. Todas essas mulheres tiveram em suas histórias algum episódio de violência.
     Hoje, a mulher pode ser piloto, policial ou presidente. Rica, pobre ou de classe média, ela tem sido cada vez mais vitimada pela violência, principalmente a que é cometida pelos seus parceiros.

     Pernambuco contabiliza centenas de mortes todos os anos. No entanto, a desgraça não é só nossa. Do Maranhão à Alemanha, “os monstros”, como ficam conhecidos, abusam, estupram, seqüestram e matam suas vítimas com requintes de crueldade, e demonstrando total naturalidade.

     Na maioria dos casos, o ciúme é a principal causa. Um grito, um tapa, uma porta batida com força, são sinais de uma futura agressão e podem dar o alerta que é hora de parar. Mas às vezes, quase sempre, a paixão tem cegado essas mulheres que suportam anos de um relacionamento violento, opressor e fracassado.

     A paixão, os filhos, um teto. Muitas, em pleno século XXI, não tem força para romper com as amarras de uma situação de risco. E se submetem.

     Milhões de mulheres no mundo vivem nesse momento, um ato de violência. Pais, padrastros, irmãos, maridos, namorados, amantes, amigos, desconhecidos...

     Não importa o motivo, o tipo de relacionamento, o caráter da mulher em questão. Nada justifica um ato de violência. O caso Bruno/Elisa tem dividido a opinião pública por ser a jovem uma modelo/Maria chuteira/atriz de filme pornô. Amante do jogador, desaparecida há quase um mês, ela pode ter sido esquartejada a mando do atleta. O motivo? Ela reivindicava o reconhecimento da paternidade do filho.

     Outro caso que tem repercutido é o de uma adolescente de 14 anos, estuprada por três rapazes menores. O caso está sendo abafado há mais de 40 dias em Florianópolis (Santa Catarina). A família é uma das mais conhecidas e ricas do Sul do país e tem feito de tudo para esconder o escândalo.

     Os garotos confessaram o crime através de mensagens em um site de relacionamento da internet e  demonstraram não temer uma suposta punição.

     O jovem, que confirmou o estupro pela internet, é filho de Sérgio Sirotsky, diretor da RBS (Rede Brasil Sul de Comunicação), que controla jornais, rádios e as emissoras de tevê afiliadas da Rede Globo em Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Além dele, outros dois adolescentes, um filho de um delegado da cidade e outro não identificado também teriam participado do estupro.

    Até quando continuaremos contabilizando as vítimas da violência?

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